você deveria tomar muito cuidado

12:40



aviso logo: vai pra casa. parecia raiva,
os chifres procurando loucos
o vermelho nos acidentes, parecia selva,
garras pintadas e poesia polonesa
declamada aos gritos, parecia milagre,
nome escondido no gene, as sombras
sem GPS no labirinto, parecia verme
dialético, adorno de adorno, amante
escrevendo contos sobre centopeias
que se incendiaram à luz do sol (oh),
relógios dando a língua, parecia doença,
estirado no beco ou no banco do trem,
pulso queimando forte, parecia medo
de quem se jogasse do redentor e errasse
de epifania, o urubu lambendo o bico
enquanto espia, parecia má sorte,
granizo arrasando o peito da criança
em slow-motion, parecia infância
interrompida no circo, animais de volta
às ruas para devorar executivos e tomar
drinks, os coroas agitando as colheres
num grito de guerra, parecia narração
do conto de fadas em que o felino bêbado
vira mamífero, coisa de cão, parecia diário
de um só dia, a múmia aplicando
o sonífero na madrugada, parecia estrada
sem automóveis, calçada de vidro pele
e calça jeans, parecia datilografia,
mão hiperativa, resgate do menino
que pulou vírgula, parecia condenação,
o exército apontando as espadas, parecia fé,
mulheres afogadas por iemanjá, parecia encanto,
os dizeres retumbantes, mas tudo engano:
era proibição.


_Gabriel Resende Santos_ 

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