três vultos

17:08





o contador de histórias


bater nas portas, nas janelas, toc toc toc
quem vinha pra destruir já dizia seu nome.
se os conquistadores morriam, viravam sua
mensagem de garrafa. surgindo, as asas ventavam,
queimavam corpos. sumia assim que gravasse os
capítulos da história nova. deram-lhe o nome
subterrâneo, deram-lhe a voz rouca, a língua do susto.
os homens não dormiam, as mulheres não acordavam,
os zumbis previam: a luz não será escrita. não será
não será. não será. não será. e não foi.


a mulher cega


nasceu em hiroshima

o rosto híbrido, o quase ventre
pingando vinho no chão

buraco branco de
pavor, a mão fantasma
na fresta da porta

nasceu em hiroshima

exibição gratuita
no circo, o gosto de
palha na língua: a boa
noite

nasceu em hiroshima

dorme imaginando
os traços de mitzrael


o menino dor


deu um abraço apertado
no chão
encomendaram o caixão
do garoto mal criado
vão levá-lo pela praia
entre a multidão das passeatas
       (marcha por mais feriados)
e as senhoras nos banquinhos vitalícios
apoiadas nos joelhos cheios de dores
ficarão entretidas com o espetáculo
o rapaz caiu mais uma vez no chão apertado
e das suas costas germinam flores
que enfeitam os jardins dos hospícios.


_Gabriel Resende Santos_

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