traduções: 3 poemas de joshua edwards

17:51




antes das traduções, vale um pequeno comentário sobre a poesia do joshua.

trata-se de um nome que descobri por acaso, navegando por listas de poetas americanos contemporâneos. alguns eu conhecia, como CAConrad, que teve alguns poemas traduzidos pelo ricardo domeneck na edição virtual da revista modo de usar. já o joshua, pelo que sei, nunca foi citado em nenhuma revista nacional antes. se tiver sido, avisem-me. aparentemente seu segundo livro (imperial nostalgia) vai ser lançado amanhã, pela ugly ducking presse, que tem em seu catálogo poetas como vanessa place e john surowiecki. ainda não posso falar nada sobre o ‘imperial’, naturalmente. se depois conseguir tê-lo em mãos, talvez edite o post para fazer um comentário. veremos.

enfim. joshua lançou seu primeiro livro, campeche, em 2011. o que se sabia do autor até então é que ele era um tradutor do espanhol muito elogiado. traduziu pro inglês ficticia, ‘trilogia’ de poemas longos da respeitadíssima poeta mexicana maría baranda (ainda não conferi, mas está na lista). sei que ele foi premiado por algumas instituições acadêmicas como a universidade de michigan e stanford e que dirige e co-edita a canarium books, selo independente onde publicou tod marshall e outros nomes no mínimo interessantes.

aqui paro pra confessar: a primeira impressão da poesia do joshua edwards não foi das melhores. pareceu-me simplista, com um estilo até patético prum autor do nosso século. ele parecia  dispensar o ritmo, a musicalidade, tudo que dá sentido a um poema. até as imagens eram tolas. na época eu estava tentando traduzir alguns poemas do charles bukowski, uma ‘escrita relaxada’, é verdade, e acreditei ser um bom exercício experimentar o joshua edwards primeiro.

para minha surpresa, o joshua tornou-se mais desafiador do que o próprio bukowski.

interessante como após sucessivas releituras os poemas tornaram-se maiores. nele há uma mistura curiosa de rexroth e charles olson, com uma ironia que lembra (talvez) o brasileiro cacaso. numa entrevista para o site rumpus, onde publicou o inédito the translators (que eu escolhi traduzir), ele disse que uma de suas maiores influências é paul valéry. também faz sentido.

mas chega. tirem suas próprias conclusões. minhas versões não ficaram muito boas, mas pelo menos servem como apresentação. tentem as suas, se acharem que vale a pena.




The translators

After reading about Caesar
And Pompey, we searched
Until we found a nearly perfect
Antique plate. Speaking

Of the unknown in simple
Language meant enlightenment.
Sitting around a large fire,
We ate something akin to cake

Served on that plate, drank
The last of our wine, and
Joked about how thin and
Shabby we have become.


Os tradutores

Depois de ler sobre César
E Pompeu, procuramos
Até achar um quase ideal
Prato antigo. Falar

Do desconhecido numa língua
Simples significava iluminação.
Sentados em torno da fogueira,
Comemos algo tipo bolo

Servido naquele prato, bebemos
O último vinho, e brincamos
Sobre como nos tornáramos
Finos e maltrapilhos.


Tradução de Gabriel Resende Santos


Prayer for the Future

It was sharp, the robot,
maybe even a genius

But it still never got
to see you in your panties

And in the end maybe that's
all that really matters.

Amen.


Oração para o Futuro

Era esperto o robô,
talvez mesmo um gênio

Mas ainda assim não conseguiu
ver você só de calcinha.

E no fim talvez isso seja
o que realmente importa.

Amém.


Tradução de Gabriel Resende Santos 



Albion

The woman sitting beside me
is so beautiful that I can

smell my girlfriend, and she
lives in Australia.  Whole days

go by without a single sin:
days of dogsigns, pigeon shit,

husks of the corn islands
lining my worn pockets.  If

love were a question, I’d do
my homework, but it’s a plant

and not all of us are born with
green thumbs.  In fact, I’m

told, most of us are born beneath
heat-lamps: screaming, resisting,

hoping that the doctor will
do something with that knife

other than cut the cord that
binds us to our mother’s belly.


Albion

A mulher ao meu lado
é tão linda que eu posso

cheirar minha namorada, e ela
vive na Austrália. Dias inteiros

seguir sem nenhum pecado:
cães perigosos, merda de pombo,

ilhas de cascas de milho alinhando
meus bolsos desgastados. Se o

amor fosse uma pergunta eu faria
o trabalho de casa, mas é uma planta

e nem todos nós nascemos com
dedos verdes. Na verdade, me

contaram, a maioria nasce sob o
calor de lâmpadas: gritando, resistindo,

torcendo para que o doutor faça 
alguma coisa com a faca que

não seja cortar o último laço
com a barriga de nossa mãe.


Tradução de Gabriel Resende Santos

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