frágil

16:19


Alison Scarpulla

resquício de sonho,
dia invasor que arromba seco a madrugada
com sua vacina de ilusão.

quando vem me buscar? depois das dez?
como estará seu rosto? o do antigo monstro?
de alma retardada? tua flauta tocará a
música que lateja nos vampiros?
me mostrará logo a verruga indecente?
os fios brancos colorindo de medo fantasminhas
camaradas?

as chances eu perdi levantando-me cedo,
abrindo comportas para os bons marujos,
mas ouvi o chamado na hora certa
tomando chá com meu pior inimigo.

borboletas que se escondem na lua,
filhas da minha prima, não fujam,
nunca fui tão de ninguém como sou de vocês agora
a fome que te orienta não é a fome que te consola
meu conselho é ruim, minhas mãos consternadas, piores
são os gestos, comestíveis os meus pecados
e apenas eles.

espíritos unidos pelo despedaçamento,
rangendo de novo os portões, desperdiçando boas
maneiras, erguendo-se dia a dia para vencer
uma batalha tosca. já ouvi muito disso por aí
é o mantra, sou uma santa, sou um santo, repita,
pedacinho de sonho, antes de se desfazer,
de quem é essa insensatez? esse incessante
afogar? de que embriagado sono você vem,
pecadinho de sonho?

não importa. como sempre, tudo se inunda,
tudo se encolhe e sem pena me arrasta no instante
da demolição.

_Lara Amaral & Gabriel Resende Santos_

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