cinzas

22:50




a colombina assombrada
pelo barulho lá fora
meu carnaval
provavelmente em forma de pierrot
quebrando mais uma janela

os torsos em busca da vela roxa e sólida
de meu carnaval
queimam-se e esfregam-se na lenha
que o bebê de tarlatana rosa ajuda a queimar
com seu nariz de pinóquio

vestindo a inocência com uma máscara
pra desfilar no rio torto
meu carnaval
é o suor modificado pela chuva
baiana traída pelo atraso do vendaval

vidro que corta o pé
e que não tira sangue mas tira susto
meu carnaval
é um bate-bola problemático assoprando
noite nos ouvidos das crianças

arruaceiro que pula o muro
e arromba a porta
meu carnaval
levanta tonto
cadê o uísque cadê a festa
serpentinando aleijado até achar
sem surpresa
as páginas de sua própria biografia.

_Gabriel Resende Santos_

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