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I

minha marca de nascença.
lugar de preferência dos amigos,
comprimidos da semana.

II

apenas o sétimo me reconhece como seu igual,
no ringue me acertam a sétima cadeira arrancando
sete dentes, e é sétimo o beijo que se acomoda
na espinha.

III

depois de pular seis casas eu ganho
o jogo, sete horas de xadrez jogadas fora.
em julho revelo a vida, ou
em setembro.

IV

a piada tem sete palavras,
mesmo número de frutas na mesa,
os assentos criteriosamente acomodados
em número invulgar. o filme do ano
na sala 7, sessão das 19, cinema vazio
adivinhe quantos me acompanham.

V

pelos cantos passa apenas o previsível
de corpos líquidos. lenços esticados, aflição dos pés
pedintes, essas ciganas que entendi há sete anos.
o nervo que balança os sete sentidos, a repetição
que irrita o próprio sete, seus gêmeos, seus clones,
o romano e seu grito à distância: lâmpada latina
sangrando o pássaro e os postes.

VI

a morte não anotou meu número de casa, o cep
77777-777, oculto no esgoto, o sucesso cheirando
a desencanto. consentimento de errar a conta, alívio enganoso,
o fantoche, sete no peito, correndo com a alma de seu mestre
sob a vista de um animal que decifra. sete cruzamentos é o bastante
para um atropelado.

VII

a data – ausência no calendário. janela atrás da porta,
voo imóvel da tarde, asas abertas em sete. nenhum documento
te registra agora, esse olhar nu me virando do avesso,
o lábio alto cantando no ouvido o numeral estrepitoso,
arremedo de palavra, condenados meus sentidos à insônia,
ao espanto dessa loucura clássica, desse gosto matemático,
ferida-delírio na pedra desse peito mudo.


_Gabriel Resende Santos_

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