confissão poética da assassina de aluguel canibal marta silva

02:27




escreveria um tratado sobre passarinhos
ou uma biografia de akhmátova
quem dera eu entendesse o pentâmetro iâmbico
mas logo a existência essa arquiteta emputecida
veio me escancarar o destino

 ah a vida

eu queria ser marie curie
eu queria ser simone de beauvoir
o máximo que consegui
foi perseguir os connors do planeta

ah essa piranha dessa vida
tantos anos aspirando ao
tiro certeiro na bunda certeira
e o tiro que me restou vem da bala caramelada
da última roleta-russa com os homens sérios
que convido nos fins de semana

beijei os caras certos
fodi os caras certos
ameacei os caras certos
espanquei os caras certos
esquartejei os caras certos
e tantos caras tantas caras
que tudo virou uma bagunça
eu ligando pro meu último cliente
achando que era o cara de sábado
eu comendo o fígado do joãozinho
esquecendo que o pulmão de pedrinho
era mais apetitoso dava uma linguiça jeitosinha
aquele cara da ong

kátia flávia a loiraça belzebu
e eu a morenaça casca grossa de bangu (preciso fazer rima, né?)
carregando o três-oitão pra sampa
belo horizonte fortaleza buenos aires
a polícia não me para ninguém me para
todos sabem o que eu faço com as bolas
com os seios ou com os cus
sabem que eu cobro pouco
e sabem que não é bom

ah essa saudade louca da garganta de j.m.
que furava lentamente pra espirrar aos poucos
ah esse cheiro ruim que fica impregnado nas mãos
e que me faz chorar de vaidade
nem deu pra ser a acadêmica que queria mas 
essa parada de furar garganta até espirrar
me valeu o suficiente para o pós-doutorado

ah essa vida é do caralho
mas essa vida também é doce, viu

_Gabriel R... NÃO! AAARGH...



_Marta Silva_



You Might Also Like

0 comentários

Popular Posts

Like us on Facebook

Flickr Images