estreia

17:48




sempre olho pra trás nas filas de cinema.
a partir disso queria contar uma história
que levaria a um romance ou um conto
sobre a musa que conheci e perdi
mas é urgente muito mais urgente o
longo tempo de criação me impediria de
dizer que sempre olhei pra trás nas filas de cinema.
não sei se o que espero da fila ignorante é uma cutucada
no ombro voz familiar se identificando na ponta do ouvido
a revelação que nos salvasse de olhar os confetes
caindo da árvore moribunda pra formar a palavra
adeus no solo frágil. não importa
se o que vem é a ação o suspense o romance
dos sonhos mágicos estrangulados pelo calor
antirrômantico: o que importa é que sempre olho
pra trás nas filas de cinema. os colegas prestes
a cair das alturas também olham pra trás esperando
a pipoca que chega a namorada que se atrasa o vazio
de estar vivendo a espera. saio de casa depois de ler
paulo leminski apenas para olhar pra trás nas filas de cinema.
os sujeitos repetitivos usam as mesmas roupas para
desenhar suas amadas em traço oriental os sujeitos repetitivos
vão reclamar da vida sempre que a primeira oportunidade
aparece os sujeitos repetitivos olham pra trás nas filas de cinema
e pensam ter encontrado algo no exato segundo em que as portas
se abrem e os ingressos para a escuridão são solicitados. sempre
olho pra trás nas filas de cinema. os pés se levantam secos. 
tomara que o filme seja bom.

_Gabriel Resende Santos_

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