visitas

18:45




é comum eles sob os ralos estreitos
ouvirem as minhas conversas todas,
tímpanos esticados como o doce que
pisei antes de mascar. não interessa se
em minhas conversas a única pessoa
que me escuta se chama eu mesmo com
eventuais visitas de tio myself. o trio maravilha
sala de troféus na extremidade dos dentes e das
carteiras vazias. me aterroriza o desenho
dos ladrilhos um cheiro tosco e familiar
que dão como meu perfume natural. fosse
o bafo do caos rastejante e não inflamaria tanto.
antes de dormir as conversas retomam e
eu mesmo delicadamente aponta para
os olhos vermelhos detrás das persianas
observando cada movimento labial
e cada risco de privacidade. até tento
uma reação mas o cálculo falha
e os olhos continuam abertos atentos
sustentados pelo corpo que ninguém quer
muito menos em sonhos. é um pouco demais
para as pobres visitas que se lançam às camas
com alguma esperança. tchau eu mesmo tchau tio
e eles me ouvem os chacais não ouviriam melhor
o mais insignificante ruído do corpo a trenodia
que eles cantam quando os olhos ameaçam
escurecer. eu engulo o ovo podre para
apostar um sonho estico as pernas e fecho
as peles ressecadas. os olhos não escurecem. 
os olhos têm fome do ovo podre que
eu engulo.  a alma amarela que sob os ralos estreitos 
aqueles olhos e aqueles ouvidos mastigaram e vomitaram
repetidamente
para que se afastassem da casca escura os sonhos imbecis. 
não me preocupo logo o trio se reúne e dessas luzes
compensa a conversa convulsante com a ressalva óbvia 
de dois simétricos e solenes pontos vermelhos.


_Gabriel Resende Santos_

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