ainda não acabou

13:19




não acabou mesmo, a palavra
que palavreada exclama: uma interrogação
corta o verso antes de outro ponto final, a rima
vindo não rima a rima evapora, calmamente?
por favor os  longos cabelos escorridos na iminência
do susto o verbo pegando soluço, onde a
história filho meu onde a história contava
que as deidades escondidas escaparam
quando o holocausto passara, a dinamite
passara, passara o aedes aegypti, globo
terrestre tomado de poemas belíssimos
e piadas monstruosas, um revolucionário
gritando do caixa de som que o amor não estava
perdido e que as canções de amor eram tudo
menos canções de amor, militares reações químicas,
ninguém sabe mais o que significa rádio ou
ratio ou prazer, cadê a poesia nisto aqui, mas
o macarrão instantâneo é melhor que néctar
de artéria suicida, cerimônias cerimônias
cerimônias cerimônias e muitas velas
porque luz que é boa está cortada
assim como a veia a palavra a interrogação
e o tempo do mundo, os longos cabelos
escorridos escondem a cara rugosa da lua
e as crianças se escondem das escolas,
começa a tocar uma grande canção do rock
britânico, não vale continuar, os lusófonos
sabem a música de seu idioma, por favor
antes de começar aperte o botão verde
confirme o valor e conte nos dedos os milésimos
de segundo pro fim do universo, obrigado,
volte nunca, tomara que a trilha-sonora
seja boa, retrô, anos 80, vhs, sei lá,
você queria dar um beijo de despedida mas
ela está ocupada em duzentos cinemas passando
de três em três horas na sala três, quando o céu
estiver amarelado demais, cerra as pálpebras, serra
os nervos, braços colados no corpo, sem melodrama 
aceita a benção, fecha a tampa quando acabar.

_Gabriel Resende Santos_

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