a outra flor

01:01




De olho vidrado sem vida
mira especialmente sem vida o obeso
mamilo do concreto reflorar-se a conde de bonfim
ressuscitando o zumbi maracanã cefet pernas cuspidas
imensas raízes fuga louca da petrobras e seus soldados de óleo, vamos
pra tóquio, um serralheiro mecânico do olimpo de vírgulas
mesmo que atirasse o raio não a cortaria nem sua seiva
neón aborta um milhão de crianças em um milhão
de municípios silvícolas do coração poluído
do centro underground da cidade náufraga
delirante invisível sete sensíveis depois de 23h apaga
gatinhas e gatões playboys e patricinhas les misérables
ganha folhas de mangueira nas mãos de um garotinho
antes gênio depois estupefato a ponto de amante a floresta
se engatilha lança o míssil corolas entorpecentes tráfico
de rosas dia dos namorados meio pra roxo agora virgem
azul nas ruínas os estacionamentos futebolísticos virgílio
pela fúria aguarda do limbo as caminhadas divertidas arrombados
do engarrafamento troquem o grande estádio pelo quinto círculo
da viola única de quatrocentos músicos amadores transando por
acaso sai o fragor decisivo nadadeiras que viram asas
nunca pegos pela rede nem pelas armas os inúteis núcleos
não parariam o ovni magneto das novas pétalas dia
imaturo tão imaturo de fazer espuma na noite agora bisneto responsável a duna 
areia árabe humanos amassadas latarias os vigias de trânsito brigando
filósofos persas pulam da pétala mundo para entrar nas discussões desperta
grande botão vermelho respirar est recompensa amarelando os verdes
inumeráveis segundos que levam ao palavrão rosa paranoico
medo em forma de criança retorna ao olho à visão que se esvai
ao concreto num universo análogo o corpo sem cor traz consigo todos 
os corpos que importam e quando queda toda sua geração queda também
em preto e branco. Aqui a sorte resiste e a flor se mantém.

_Gabriel Resende Santos_

You Might Also Like

0 comentários

Popular Posts

Like us on Facebook

Flickr Images