20 segundos de intimidade

22:54


Simon Goinard Phelipot


febre. hoje teve 40º
menos o frio absurdo
de um aperto de mãos
sem amor. febre. os
parasitas sussurram
um terço das verdades
antes que o céu da boca mande
venha, venha, e devolva a pele
morena de bochechas sem
máculas. febre. o ouvido
direito perde a direção. onde
está a vocalista preferida e aquele
bolinho nostálgico. complexo de
nariz. as coisas são piores,
o olho esquerdo reclama, porque
os dedos andam dizendo me me me
e não nos nos nos. moleques, falsos,
medrosos. febre. a barriga não se esquenta
repete a infância em melodias longas e
desafinadas. charlatã. não dê ouvidos a ela
não dê ouvidos a ela, a língua chama
a atenção pra si. o diálogo agora é
razoável. nem tudo era assim, ah
nem tudo. febre. a cabeça escuta as preces
e finge que entende. não solta que
a covardia começa nela. essa tecnologia
mente mais que os pés, veja os membros
animatrônicos contando vantagem. de repente 
todas as inocências, 50 60 70 graus, enlouquecidas
com o desapego da vagina. mas o nariz lamenta
está tudo tão seco por aqui. a garganta não concorda.
os joelhos apoiam. o julgamento cabe à cabeça. em vão.
ninguém pode escutar nervos e narinas quando no pesadelo
mais turvo do olho e mais amargo da língua é a febre
quem força as pálpebras dos pecadores.


_Gabriel Resende Santos_

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