de tarde

18:28


Simon Goinard Phelipot



7h

a luz é forte: entra no quarto e tampa o rascunho.
sem persiana, o tempo passa até a hora dos caninos
sonâmbulos. lunar é a pele, o medo, o canto do olho.
aquele bom senso pede selvagens menores. tantas demências
já condenadas à desilusão da manhã. péssima péssima,
recebendo os santos mais cafonas. diminuída no peito
pálido de sua selva. comprimidos, giletes, paixões: a fauna.
recados diminutos atravessando orelhas pacíficas. caspas infinitas
os impossíveis flocos de neve. desistir é tabu. o nublado dos cegos
não faz chuvisco. toda alegria se constrange. príncipes vivem de
rasgar os poemas das princesas. pesadelos verdes, arco-íris pretos, 
batalhas perdidas no urro. a decisão entrevista e tomada quase
de relâmpago. fugir é rápido. indolor. permitido. os rascunhos com
ou sem aula de caligrafia sobrevivem sem respirar. e novamente
tudo que se ama, sob os pesados caroços do trauma, é proibido
para os morcegos carentes de luz.


19h

a terra perde metade do peso e o sol se põe.


_Gabriel Resende Santos_

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