poema de amor

17:12


Gustav Klimt


vale enquanto embaraça as caligrafias
subindo pulando nas menores curvas
do abc.

nas noites duas silhuetas caminhando
lado a lado – dedos entrelaçados
no erro da sombra.

valem contornos de conchas e areia
desenhando princesas nos castelos
e anjos do trópico de capricórnio.

vale sob pijamas pesados acender nos sonhos
o desencontro perfeito e primeiro.

valem samurais cuspindo beijos
e fuzileiros as balas carinhosas
que dão de graça aos fortemente armados
bebês das superpotências.

vale o vhs ressuscitado
e seu desserviço aos amantes
em alta definição. vale o panfleto
na melancolia do fim de eleição.

orelhas máscaras aviões de papel.
tralha voos musas a dez quilômetros de distância.
guarda-chuvas apaixonados pela água
e tampas de caneta carentes.

mas quando o amor
amor se torna (carne arfante)
é bom muito bom até melhor mas
por ausência de fôlego sua urgência
não inspira muitos poetas vivos.

já as cartinhas fantasmagóricas, além de mais
influentes, possuem um incontestável valor histórico.



_Gabriel Resende Santos_

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