do eu

14:14


Juan Manuel McGrath


Não sei qual cão
robusto ridículo
elétrico eletrônico
roubou o homem.

Há três anos latia:
eternamente erra 
o homem-cão. Ele conta
que esteve errado por dias demais
e horas demais e segundos demais
verde demais colosso demais
tempo para os vôos da noite.

Latia, sobre a Costa, que o homem
se tranversa no verso e ressuscita.
Que bons olhos são de basilisco
e a boa língua só serve pra corais
agudos. Era pequeno e disse Eu
para logo lançarem as flechas contra
a lírica. O metafracasso.
Passando-se dias
eu/ele cada vez mais frágil,
as lanças para couros cabeludos. Giletes corrosivas
na língua sorumbática. e de infelicidade a infelicidade
EU a
Eu a
eu a
u.
não sabia o porquê do erro
mas sabiam os músculos e a voz.

vingar qual sistema
qual cerca qual anti-vírus louco?
 abortaram o cão. desmataram seu beijo. suas
 garras pacíficas e sua vermelhidão tímida. 
 eu (não vale mais a pena ser Eu) insiste.
 espere. o cão não virá. de que serve rezar, macumbar,
 ignorar as páginas, as figuras, até mesmo
 o cheiro da relva absurda:

                  porque o que mais queria, eu/ele/tu,
                  muito mais do que o afeto que expele a gosma
                  dos demônios e
                  da amiga fantasma, gestos ruivos,
                  era um abraço rochoso e outonal
                  daquele homem-cão.



_Gabriel Resende Santos_

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