coalescência

15:23


suas garras-olhos
de felino cego


dia de sol forte vermelho recordações europeias na máquina do tempo jesuítas altruístas nas coberturas de copacabana apontam os mares conquistados pelo vinho português tordesilhas a engenharia da partição conquistas lusitanas perfume de colônia extinta transpirando nas calçadas gastas por pés nobres sustento de edifícios onde transitam gorduras nobres e o caminho se estendendo se estendendo a beleza do quem vem lá quem vem lá não não isso estraga toda a nobreza é o mártir preto esfarrapado será que ele me assalta? será que ele me mata? me rouba esse preto indecente e vigarista? olha ele bota a mão no bolso e puxa o canivete ameaça cortar meu pescoço o que eu faço que desespero vai colocar suas mãos pretas no meu pescoço o que faço você quer dinheiro eu te dou dinheiro eu te dou todo o meu dinheiro é o que você quer não não não não não não não não é o que eu quero eu quero que você me mande de volta pra áfrica amarrado por cordas grossas enfiado no esgoto dos navios feito bicho sem dono abandonado no ibama quero que você me leve pro bairro dos loiros de olho azul onde se ouve barulho fora os tiros dos traficantes/polícias assassinados os pretos famosos são macunaíma usando creme de branquelo "tenho orgulho de ser preto e nojo de favela"  quero conhecer os pálidos que escurecem bebendo coca-cola em passeatas campanhas televisivas pro lcd dos ricos por que você não devolve meu irmãozinho asmático a saúde que eu perdi com boceta de puta que acha dos caras sorridentes em que voto que cospem na minha cara as menininhas adolescentes que balançam a bundinha me trocando por mentiras-trocados -  porque ninguém quer a verdade da escuridão para si a doença contagiosa do preto marginal que ameaça o reino da paz é é o que eu quero devia te convencer a não fazer o que pretende talvez te entregar um saco de grana mas vai lá vai lá carrasco: enfia com força o canivete no meu peito e quando chegar no coração revira duas vezes pra ter certeza de que o sangue que jorra colore o sol incolor


_Gabriel Resende Santos_

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