o romântico faminto

19:17



minha sombra perdeu sua cor -
espectro transparente
translúcido:  um
insano preto e branco -
fincado no que está por cima
      
        (qual morcego de baudelaire sobrevoa
         as intenções)

da culpa -

não vivi comendo vida
chupando alma nem frescor
de virgem

sofri faminto cardápio paupérrimo
sobrando só os já exauridos de morrer
pactuados sem alma irmãos da boêmia
aranhas heréticas

do tempo -

dedos ansiosos o tráfego pela
embalagem de plástico
pelos órgaos tocando mussorgsky
em cada facada garfada e digestão

o que sou senão
necrófilo pagão anti-zumbi
carne destoutro que não vi
e se comi já não é outro -
        
          (sou eu no espelho escutando mais faces
           do que poderia ter soprado em mi bemol)


_Gabriel Resende Santos_


Imagem: Painting, de Francis Bacon.

You Might Also Like

0 comentários

Popular Posts

Like us on Facebook

Flickr Images