eu e o chão

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convulso amor astênico do alto do prédio gri-t-dando-se jogar todos os epilépticos com o quádruplo do peso esmagar todas as cabeças como o elefante-formiga colônias dessas folgadas drogadas progressivo embriagado progressiva invasão pelo inverso do universo onde as formigas imperam reinos gigantescos jupiterianos ativa lascívia do abuso gritando-gritando-gritando por punhado de terranova punhado de aquarius e negócios e cartas executivas imateriais presas na caixa de correio arquivadas cabeças decepadas os funcionários mais incompetentes/não-influentes autofágicos antropofágicos altruístas devoradores de berços desses meandros ninguém fala antropo-fagia sociedade vermelha comer primeiro último passo dos vários passos viajando ao cu xarope de fezes defecar-se se entrar no próprio umbigo a cabeça feita conquista absoluta e normal e louvável sorte nessa morte princípio e fim da merda ama-durece o vivermorrer sem interesse sem esse cadê a corda o comprimido a espingarda no peito abafado ou optar pela antropofagia desvelada do papel de carta rebelde brado de rimbaud na frança moralista rebelde viagem psicodélica de burroughs na américa moralista rebelde experimentação leminskiana no brasil amoral moralista morram detratores do grito morram silenciadores silenciados silêncios fatos estúpidos frágeis escritos por algdois babacas no pior dia de suas vidas com ódio da canção ódio do conde de lautreámont alternando entre o piano e o papel-piano e papel piano e papel vamos lá: alegria profana do pagão tão contagiante cadê ulisses? ulisses tira essa porra do ouvido e te entrega às amaldiçoadas de deméter te entrega a esses peixes-homens que te devoram as vísceras medíocre amorvorador balão dos sonhos sem subtexto erótico-(herótico) ent-end-idos seus desinteresses enquanto tua alma alta engulo qual pai devorador de filhos o mitológico titã se erguendo lançando maldição sobre édipo quase tudo é maldição e amaldiçoo o misticismo rouba todas as almas assim como o gigante ciclope olho sarrabolho azulado sectura o corpo do mundo em fúria recrudescente o suserano filho de gaia suplantando toda antiga criação herético e mal-agradecido bufão (uivando qual hipster sem caráter sem-teto sem-pudor sem-razão sem-vergonha sem-ventura sem-sal) morte-lembrança sacrifício oferenda aos deuses delivery à sociedade devassa e desesperançada do le spleen de paris entrego à distopia de lang e harbou o monolito do homem proderelicto que nem homem possui a carne a pele o plástico que envolveu revolveu as entranhas estragadas desde o primeiro dia morto-vivo esperança rasgada o futuro futuramente provável até o morri e morri e morri e vivi morrendo morto-vivo esquecido sobre o teto do prédio maiúsculo ciclope perdido visionário ignorado epiléptico doente e fodido e nada a perder que se joga convulso lá do alto para morrer nas rachaduras do solo e achar no minuto cinza que foi além das formigas civilizadas e indiferentes.



_Gabriel Resende Santos_


Imagem: The Colossus, de Francisco de Goya.

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