a dor dos imunes

16:57


reencenando um procurado nu
numa pintura sem tela
ovo fora da galinha
sangue rápido
saído
do
      cu

traspassando o olho
de mão em mão
no chinelo sem pé dentro do corpo
vida que sai fora pra fora
da morte que vive
na vida mortal da morte viva
que vive-morre na espreita da vida
que morre vivendo a cada dia
a cada retrospectiva morta
expectativa
falsa
do vivo

video-tape
de fitas rasgadas
dentes encarquilhados
da novidade - VIVA! -

o sabor da arranhadura no espelho

ainda posso
      poderei
cresCER
virar de repente
grande
       pedra
            perda
                 do
sentido - carne
ruborizada do rosto - sangue
de dor
viva
cinza

crescendO
cresceNDO
as coisas começam do meio
pra dentro
do fim

sou Lord agora - criador do branco e do gráfico
da madeira e da pauta
criador do fracasso e do impossível
criador de ti e mim
criador da dor que cria a dor
que vive e aprende a ser e sou

tu-eu-em-mim-ti-ré-mi
dó de quem dói até sem dor
de mim, de eu
que sou Eu, Lord, Dor,
sem dó
nem tu
nem ele

eu só
e lá



_Gabriel Resende Santos_


Imagem: A Crucificação de São Pedro, de Caravaggio.

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