(o paradoxo do peso)

00:21

levanta

como morto-vivo
despertado pelos corvos
sem querer
como pedra
levando suas outras pedras
para dividir com mais pedras
como obstáculo
para os espíritos chatos e ocupados
levando suas pedras falantes

levanta

nem retraído, nem destemido
não sabe se anda, se sente,
se levanta, mas olha
pro nada, pro tudo, pro abstrato
sonolento, pesado, tal pedregulho
atirado às cachoeiras barulhentas
tão lindas de se ver

levanta

vai entender
é bicho do mato?
é fantasma colorido?
é gorda no spa?
é resto de verso?
é perereca sem mãe?

levanta

só que minha paciência
é muito curta

_Gabriel dos Santos_

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